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Ao assumir, novamente, no mês passado, a presidência da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (Aeerj), o engenheiro Francis Bogossian fez uma análise muito positiva da situação atual do Estado, que entre 2011 e 2012 deverá receber R$ 181 bilhões em investimentos públicos e privados, o que significaria mais de R$ 4 milhões por m².
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Bogossian citou diversas obras em curso ou já concluídas, entre as quais a siderúrgica ThyssenKrupp CSA, o porto de Itaguaí, o Arco Metropolitano, o Comperj e a revitalização da zona portuária, ressaltando que nada disso teria saído do papel, não fosse o trabalho das empresas de engenharia. Alertou, porém, que a burocracia do governo está impedindo-as de se tornarem rentáveis e competitivas.
Dois anos de atraso
A usina hidrelétrica de Batalha contabiliza dois anos de atraso e só deverá ficar pronta nos próximos 24 meses. Atraso em obra significa encarecimento de custo final e prejuízos enormes para a sociedade. Originalmente calculada em R$ 460 milhões, ela pode chegar ao final custando R$ 1 bilhão. Situa-se na cabeceira do rio São Marcos, na divisa de Minas com Goiás, e relaciona uma série de medidas ambientais consideradas positivas para empreendimento do gênero. A obra, de Furnas, é construída pela Camargo Corrêa.
Teles Pires
O consórcio formado pela Neoenergia, Furnas, Eletrosul e Odebrecht começou a construção da usina hidrelétrica Teles Pires, no rio Teles Pires, entre os estados de Mato Grosso e Pará. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o projeto básico e informa que a obra não poderá ter mais qualquer protelação. A usina, que terá potência instalada de 1.820 MW, está orçada em R$ 3,3 bilhões. Pelo cronograma, a primeira unidade geradora deve operar em 2015.
Em Moçambique
A Camargo Corrêa contratou a Intertechne Consultores S.A. para avaliar os estudos do pré-projeto e elaborar o projeto pré-básico da Usina Hidrelétrica Mphanda Nkuwa, no rio Zambezi, em Moçambique. Ela ficará a jusante da Usina Cahora Bassa, atualmente a maior produtora de eletricidade do País, com capacidade superior a 2.000 MW. A nova hidrelétrica terá capacidade para gerar 1.500 MW. A barragem, segundo o engenheiro Carlos Infante da Câmara Teixeira, diretor de desenvolvimento de mercado da Intertechne, será de concreto compactado com rolo (CCR), terá cerca de 700 m de comprimento e altura máxima de 90 m.
Transcarioca
O consórcio formado pela Andrade Gutierrez e a Delta prosseguem as obras do trecho de 28 km do Bus Rapid Transit (BRT) – investimentos de R$ 798,4 milhões – entre a Barra da Tijuca e a Penha. Esse trecho deverá estar concluído pelo menos até dezembro de 2014.
Toma lá, dá cá
Na prática, a política do toma lá, dá cá, entre Dilma e Alckmin, fica assim: o governo paulista ajuda a presidente a executar os programas Brasil sem Miséria e Minha Casa, Minha Vida, em São Paulo, e, em troca, ela o ajuda a ampliar a capacidade operacional da hidrovia Tietê-Paraná (o estaleiro Rio Tietê será construído em Araçatuba-SP), e a reforçar os recursos para o Ferroanel. A obra, de 66 km, poderá ficar pronta em 2014.
Indústria cimenteira

O consumo de cimento, no Brasil, chegou ao total de 60 milhões de t no ano passado. Esse dado mostra que o Brasil, segundo José Otávio Carvalho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), mantém aquecida a atividade da construção civil, diferentemente do que acontece com alguns países desenvolvidos, que ainda estão sob os efeitos da crise econômica mundial iniciada em 2008. Ele diz que a indústria cimenteira nacional promove um programa de expansão de suas fábricas, o que deverá elevar a capacidade instalada atual para mais de 100 milhões de t/ano até 2016.
Mercado imobiliário
Um dos maiores negócios imobiliários do ano aconteceu este mês, em São Paulo: a BR Properties incorporou a WTorre Properties, passando a dispor de mais de R$ 10 bilhões em imóveis comerciais, de grande porte, para locação no País. Ao explicar a junção do útil ao agradável, Cláudio Bruni, presidente da BR Properties, foi claro: “A nova empresa nasce com um caixa robusto para novas aquisições.” Novas aquisições, portanto, vêm por aí.
Travessia Santos-Guarujá

• O engenheiro Catão Ribeiro desancou, no Instituto de Engenharia (IE), em mesa-redonda presidida pelo engenheiro Roberto Kochen, o projeto do Dersa, defendido pelo engenheiro Tarcísio Celestino (ex-presidente do Comitê Brasileiro de Túneis - CBT), que prevê um túnel – e não uma ponte estaiada – para a travessia Santos-Guarujá. Catão disse que o projeto do túnel ficará mais caro do que o projeto da ponte e, a rigor, não dispensará o sistema arcaico das balsas tradicionais na travessia. Já a ponte acabará se transformando em novo referencial urbano na região.

• O engenheiro Roberto Kochen, diretor de Infraestrutura do IE, diz, no entanto, que a melhor solução para a travessia é o túnel imerso, concebido pelo Dersa. “Estudos da empresa mostram que, do ponto de vista viário, o melhor local para a travessia é no ponto médio do canal. Lá, a ponte estaiada interfere com o cone de aproximação do aeroporto da Base Aérea de Santos. Pontes convencionais seriam muito altas e teriam rampas muito extensas. E túneis convencionais seriam muito profundos, com extensos trechos de rampa; daí, a melhor solução: túnel imerso.”
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fonte: Estadão