Restauração da RJ–122 usa 20% de pó de pneu reciclado
 
O Rio de Janeiro protagoniza um projeto piloto de restauração asfáltica considerado pioneiro no País. Na recuperação do pavimento da rodovia RJ–122, que liga Cachoeiras de Macacu a Guapimirim, é empregado asfalto-borracha in situ tipo field blend, cuja tecnologia utiliza, pela primeira vez no Brasil, 20% de pó de pneu reciclado como ligante asfáltico.
A inovação proporciona alta viscosidade ao material, que pode ser misturado com o agregado em até 9,5% em peso para as massas asfálticas. O projeto, sob a responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ), é executado pela Construtora Colares Linhares.
“Na recuperação de 35 km de estrada da RJ–122, que foi concluída em setembro, estimamos que sejam utilizados cerca de 430 mil pneus. Tirá-los do meio ambiente é algo muito importante e somente com a sua utilização industrial é que conseguiremos de fato dar um destino em grande escala a esse passivo ambiental”, destaca Lincoln Aguiar, diretor superintendente da construtora.
Estima-se que o Brasil tenha, atualmente, 65 milhões de veículos. Se cada um deles trocasse de pneus a cada dois anos, já seriam 260 milhões de pneus descartados, o que constitui um material altamente poluente que leva para se decompor, na natureza, entre 100 a 400 anos.
Produção in situ
A tecnologia in situ tipo field blend foi desenvolvida e patenteada nos Estados Unidos e segue a norma ASTM 6114 (que regulamenta os serviços de engenharia e materiais naquele país).
O diretor do DER-RJ, Ângelo Monteiro Pinto, juntamente com o ex-diretor do órgão, Salomão Pinto, vêm ressaltando em publicações, inclusive da Associação Brasileira de Pavimentação (ABPv), que engenheiros do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), desde 1987, já descreviam que o asfalto-borracha usado no Arizona apresentava uma performance superior nas misturas tipo SAMI e SAM com látex. Como nessa época o asfalto-borracha ainda estava preservado por patente nos EUA, não foi possível implantá-lo no Brasil.
Segundo técnicos do segmento, a produção de ligante no local da obra contribui para evitar a vulcanização da borracha, que ocorre quatro horas após a mistura com o asfalto quente. Hoje, existem também trabalhos no Brasil com asfalto-borracha de baixa viscosidade, mas que só permitem produção de massas densas e lisas. O processo in situ proporciona massa com alto coeficiente de atrito e também garante estradas mais silenciosas, conferindo maior qualidade de vida e conforto para a população e os usuários da estrada.
Para executar uma obra de qualidade produzindo um ligante in situ, é necessário um bom projeto de mistura, controle de campo e obra que tenha escala industrial razoável. A massa do Arizona só pode ser feita através desse processo industrial. Ainda não existe um ligante que possa ser misturado nas proporções de 9,3% ou 8,2% para a capa e binder, respectivamente produzidos pelos distribuidores brasileiros.
Um ligante in situ faz parte do processo exclusivo de produção de uma massa asfáltica de altíssimo desempenho e muito delgada, com grande coeficiente de atrito e uma vida útil elevada graças à presença da borracha existente no pneu dos automóveis.
Maior segurança
De acordo com o engenheiro Luiz Wagner, diretor da Colares Linhares, esse tipo de asfalto é mais seguro do que o convencional. Por ter maior aderência, ele evita derrapagens e aumenta a capacidade de frenagem dos veículos, mesmo com chuva, por ser mais permeável à água: “Esse asfalto tem uma camada porosa em que a água de chuva permeia até a camada inferior do pavimento e sai completamente pelo acostamento”.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fonte: Estadão
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