A.R.G. se volta a projetos de infraestrutura
 
Os recentes e bem sucedidos trabalhos de grande porte realizados para a iniciativa privada, associados ao amadurecimento do regime de contratação de obras governamentais e da abertura de novas concessões, impulsionam a empresa a retomar a atuação na área pública 

Augusto Diniz – Belo Horizonte (MG)
 

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 A.R.G. quer incrementar sua atuação nos segmentos de obras em que detém reconhecido know how. Para isto, estuda participar das licitações de grandes projetos e concessões públicas, principalmente rodovias, aeroportos e metrô. O foco representa uma retomada da construtora no setor público, depois de ter atuado fortemente nos últimos anos no mercado brasileiro da iniciativa privada.
A história e a experiência são o grande referencial da A.R.G. nesse objetivo. Quando o empresário mineiro Adolfo Géo fundou a A.R.G. há 32 anos, a sua primeira atividade foi a construção de edificações. Porém, com a escassez de recursos destinados a financiamentos imobiliários na década de 1980, ele buscou diversificar suas operações, passando a atuar na área pública.
No entanto, as sucessivas crises econômicas que estrangularam os investimentos públicos em infraestrutura no Brasil, pressionaram a empresa a migrar para outros segmentos, como siderurgia e até revendas de veículos.
No final da década de 1990, partiu para a internacionalização da empresa, vindo a atuar em países da América do Sul e, posteriormente, da África.       
Pouco depois desse período, já contabilizava a participação em mais de 120 grandes obras no Brasil e no exterior, consolidando-se como uma das maiores empresas na área de infraestrutura do País, incluindo rodovias, portos, ferrovias, metrôs, pontes e viadutos, túneis, aeroportos, gasodutos, saneamento, instalações industriais, mineração, irrigação e dragagens.
Agora, eleita Empresa de Engenharia do Ano no segmento de Infraestrutura pela revista O Empreiteiro, a A.R.G., que conta atualmente com cerca de 6 mil colaboradores e faturamento anual de mais de R$ 1 bilhão, volta-se com vigor para grandes empreendimentos públicos no País. Os recentes trabalhos de porte bem sucedidos realizados pela empresa para a iniciativa privada, associados ao amadurecimento na contratação de obras governamentais e da abertura de novas concessões, estão sendo consideradas fundamentais para esse redirecionamento.
A seguir, a entrevista concedida à revista O Empreiteiro pelos diretores da A.R.G., Euler Miranda da Costa e Adolfo Géo Filho (filho do fundador Adolfo Géo, que junto com os irmãos Rodolfo Giannetti Géo e José de Lima Géo Neto compõem o corpo diretivo da empresa). Na sua sede de 16 mil m² no bairro Luxemburgo, com privilegiada vista de Belo Horizonte (MG), eles falaram sobre os planos e perspectivas da empresa no mercado de construção brasileiro.
Como a A.R.G. está vendo o mercado de construção brasileiro?
Adolfo – Apesar da crise mundial, o mercado interno continua em expansão. Estamos vendo que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a Copa do Mundo vão movimentar muito o País. Estamos focados na iniciativa privada, que tem muitas oportunidades, e no mercado internacional, mas não esquecemos os grandes projetos da área pública, como o metrô, as concessões de aeroportos e rodovias, que inclusive terá um novo pacote.
Por que agora essa retomada no setor público?
Euler – Nos últimos cinco anos nos dedicamos única e exclusivamente à iniciativa privada, por falta de grandes obras e transparência maior nos projetos. Houve, porém, nesse período, uma depuração do setor e uma conscientização dos gestores públicos. Daí, o nosso interesse de estar avaliando oportunidades na área.
Veja bem, nunca deixamos de nos interessar pelo setor público, mas estávamos esperando o mercado se ajustar. Estávamos vendo muitos problemas, mas agora as coisas estão se ajustando, se acertando. Fomos agressivos no setor privado e em obras internacionais, e agora estamos revendo projetos de porte na área pública.
Há algo de concreto na atuação junto ao setor público?
Euler – A A.R.G. já está pré-qualificada para licitação das obras da segunda etapa da linha 4 do metrô de São Paulo, dividida em dois lotes (5 estações e prolongamento de 1.800 m com uma estação terminal).Trata-se da segunda licitação que entramos recentemente. A primeira foi a revitalização do anel rodoviário de Belo Horizonte, mas por motivos que desconhecemos, a licitação foi cancelada.
Adolfo – Também tem o metrô de Belo Horizonte que deve ser licitado em breve e devemos entrar. Além disso, dentro dos três aeroportos previstos para serem incialmente privatizados (Viracopos, Guarulhos e Brasília), temos interesse em participar da concessão. Uma empresa estrangeira deve participar de nosso consórcio. Precisamos de parceiro de operação e o Brasil não tem experiência nisso. Vamos aprender com eles nesse item.
Na área de rodovias, o governo deve lançar um pacote de concessões. Principalmente aqui em Minas Gerais, cujas condições de trafegabilidade são muito ruins. A BR-040 (Juiz de Fora-Belo Horizonte e Belo Horizonte-Brasília) e a BR-381 (trecho Belo Horizonte-Governador Valadares) são exemplos. Vale lembrar que a A.R.G. já atuou com concessão no passado, na Intervias (interior de São Paulo).
O que a A.R.G. tem de diferencial para oferecer às grandes obras?
Euler – Acima de tudo, tem que ter acervo técnico compatível. Estamos inseridos nesse contexto. Além disso, com a nossa qualificação, agilidade e modelo de gestão, conseguimos ofertar preço compatível e competitivo no mercado. Na medida em que se corta custo e prazo, você obtém sucesso.
Adolfo – Fizemos o superporto de Açu (RJ), que é a maior obra portuária do País. O superporto Sudeste (RJ), do qual também participamos, é um extenso e complexo trabalho.  Com isso, nos capacitamos muito, tecnicamente.
Fala-se bastante no Brasil de problemas de gestão de projetos. O que a empresa tem feito nesse item?
Euler – As obras de infraestrutura têm muitas surpresas no meio do caminho. Por isso, temos investido bastante na gestão de projeto para quebrar paradigmas. No passado, as empresas eram mais tocadoras do que gestoras de obras. A evolução do projeto, o desenvolvimento, isso não fazia parte da cultura das empresas. Agora tem que fazer.
Qual recado que a A.R.G. daria ao mercado?
Euler – A população pede que as obras públicas sejam feitas com transparência, da melhor forma possível, com qualidade, prazo, custo, em favor do interesse público. Essa também é nossa premissa.
Adolfo – As empresas têm que se manter dentro de uma margem de lucro razoável, mas preservando o bem da coletividade. Acho que o Brasil está caminhando para isso. Por isso acreditamos no momento do País.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fonte: Estadão
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