Uso de maior cantitraveller do País acelerou construção do superporto do Açu
 
O superporto do Açu, em São João da Barra (RJ), do qual a Anglo American e a LLX, do Grupo EBX, são proprietários, com previsão de conclusão ate o fim do ano, é uma das maiores obras da iniciativa privada do País. A A.R.G. tem tido um papel preponderante na realização dos trabalhos. Responsável pelo projeto executivo das obras, a empresa ergueu uma grande ponte de concreto e aço com 26,5 m de largura e de 540 m de estrutura de transição e 2.340 m sobre o mar, totalizando 2.880 m de extensão, partindo da praia do Açu.
O terminal portuário — com previsão de embarcar 24 milhões t/ano de minério de ferro — é o principal elemento de um complexo industrial que está sendo instalado em uma área de cerca de 130 km². O número de trabalhadores na obra atingiu o pico de 1.680 empregos diretos.
O escopo contratado junto a A.R.G. engloba além da construção da  ponte de acesso, um píer de minérios de 443,6 m de extensão e 25,4 m de largura para atracação de navios de grande porte — com calado de 21 m, pode receber, por exemplo, navio tipo Capesize — e um píer de rebocadores com 168 m de extensão e 40 m de largura.
Além disso, foi confiada à empresa a responsabilidade pela construção do quebra-mar em enrocamento – 3.780.000 t de pedra – protegido por 22.000 blocos de concreto do tipo Core-Loc de 3,9 m³ e 10 t cada, tecnologia pela primeira vez aplicada no Brasil; e a construção da rodovia de acesso ao superporto com 38 km de extensão, sendo 26 km ligando o empreendimento à BR-356, e outros 12 km partindo da BR-101, que permitem o acesso à pedreira de onde estão sendo extraídos os blocos de rocha para a construção do quebra-mar do superporto.
Um embarcadouro provisório foi construído para embarque dos blocos de rocha nas barcaças — adquiridas pelo consórcio para lançamento no quebra-mar e com capacidade para transportar 1.250 m³, equivalente a mais de 100 caminhões. Os blocos de concreto do tipo Core-Loc serão justapostos no mar um a um, por meio de guindastes. Para possibilitar a execução do quebra-mar via terrestre, foi construída uma ponte de acesso ao mesmo com comprimento total de 89 m e 10 m de largura.
Para a construção do superporto do Açu, foram adquiridos pela A.R.G. todos os equipamentos necessários, como guindastes de alta capacidade, martelos hidráulicos, frota de carretas para transporte de materiais, usinas para produção de concreto e equipamentos de terraplenagem. Além disso, foi fabricada no canteiro de obras a plataforma para a construção da ponte de acesso e dos píeres.
Na construção da ponte do superporto foi utilizado um cantitraveller, equipamento em estrutura metálica que serve de gabarito para cravação de estacas, e que avança apoiado sobre as estacas já cravadas por ele para atingir o posicionamento das estacas seguintes. O equipamento foi projetado e desenvolvido especialmente para a largura da ponte e é o maior já feito no país. O cantitraveller é equipado com um guindaste Manitowoc com capacidade de 300 t e 60 m de lança (que realiza as diversas operações de carga e movimentação de peças pré-moldadas para a construção da ponte), além de pórticos, geradores de energia, bombas de concreto e guindastes. De propriedade do consórcio, ele foi ainda responsável pela movimentação das estacas e vigas que compõem a ponte de acesso.
Durante a construção da ponte de acesso e dos píeres, foram cravadas 1.104 estacas de concreto protendido, mistas em concreto protendido e ponteiras tubulares metálicas, com diâmetros de 800 mm e 1.000 mm, e comprimentos variando entre 48 m e 96 m. As estacas metálicas foram preenchidas internamente com concreto de alto desempenho através de concretagem submersa.
O concreto, tanto para as estacas quanto para as vigas que compõem a ponte de acesso, foi produzido em uma usina de concreto própria, instalada no canteiro de obras, com capacidade para produção de 80 m³/h de concreto, representando capacidade para produção completa de um vão de ponte por dia, composto de estacas e vigas pré-moldadas.
 
Ponte de acesso e píeres
Para a ponte de acesso do superporto do Açu que segue perpendicularmente à linha de costa, entre a plataforma em aterro e o início da ponte de acesso sobre o mar, no trecho da restinga, foi construída uma estrutura de transição com 540 m de extensão e 31 apoios, com quatro colunas apoiadas sobre blocos de concreto e em estacas de perfil metálico, com comprimento médio de 39 m, totalizando 272 estacas.
A ponte de acesso aos píeres sobre o mar começa a partir do apoio 31 e termina no apoio 161, totalizando 2.340 m de extensão, com largura de 26,50 m. Os apoios são compostos por quatro, cinco e até seis estacas de concreto pré-moldado e mistas (pré-moldado em concreto e ponteira metálica), verticais e inclinadas, com comprimento médio de 52 m e diâmetro de 80 cm x 15 cm.
No trecho denominado vale de argila, foram cravados 6.040 m de estacas metálicas com diâmetro de 800 mm, preenchidas com concreto armado e comprimento variando entre 60 m e 96 m.
O píer de rebocadores tem início após o apoio 161 da ponte de acesso, na mesma direção. Tem largura total de 40 m e 18 vãos de 9 m, sendo o comprimento total do tabuleiro do píer de 168 m. O detalhamento do projeto indica os apoios compostos por oito ou seis estacas, sendo elas mistas (concreto e metálica), com diâmetro de 800 ou 1.000 mm, preenchidas com concreto armado, com comprimento médio de 64 m.
O píer de minério de ferro começa no término do píer de rebocadores e é transversal a este, na direção norte. Tem largura total de 25,4 m com 45 apoios, sendo 44 vãos com 10 m e comprimento total do tabuleiro de 443,6 m. Os apoios são compostos por seis estacas mistas, com comprimento médio de 64 m, sendo 48 m de concreto pré-moldado e 16 m de ponteira tubular metálica, totalizando 290 estacas inclinadas. Ainda no píer de minério, serão montadas 2 vias de rolamento sobre trilhos para se movimentar os equipamentos de carregamento e descarregamento de navios.
Atualmente, estão em fase final de implantação no superporto as obras civis, incluindo subestações, casas de transferência, transportadoras de correia, vias de rolamento de estocagem e retomada do minério, dentre outros, visando à operação de manuseio e transporte de minério desde a área de filtragem até o carregamento. 
Além de participação na construção dos terminais off shore do superporto do Açu, a A.R.G. está executando obras on shore, e a terraplenagem e fundações da área onde será instalada a unidade de construção naval da OSX, do grupo EBX, que ambiciona-se ser um dos maiores estaleiros da América Latina.
 

Principais serviços
no superporto do Açu

 
- Ponte de acesso aos píeres: 2.880 m com 26,5 m de largura
- Píer de rebocadores: 168 m
- Píer de minérios: 443,6 m
- Concreto armado: 80.000 m3
- Aço CA-50: 17.000 t
- Estacas: 1.104 unidades e 53.000 m de comprimento total
  (estacas metálicas e de concreto)

- Estrada de acesso: 38 km
- Ponte de acesso ao embarcadouro provisório: 264 m
- Quantidade de Core-Loc™: 22.000 unidades
- Concreto para fabricação de Core-Loc™: 85.800 m3
- Transporte de blocos de rocha para o quebra-mar: 140 milhões m³ x km
 

Internacionalização progride

A A.R.G. é também conhecida pela sua atuação no exterior. Na prática, a atuação começou há uma década, no Paraguai, com a construção naquele país de uma rodovia com 180 km de extensão, a Ruta 10. Em 2003, iniciou operações na Bolívia, com a construção de diversos trechos rodoviários, totalizando 210 km de pavimento em concreto, entre as cidades San José de Chiquitos e El Carmen.

Em 2007, a empresa passou a atuar na África, executando obras de infraestrutura para o Governo da Guiné Equatorial de relevante importância para a modernização e desenvolvimento daquele país.

 A empresa se prepara agora para atuar em Cabo Verde. Na ex-colônia portuguesa na África, A.R.G. irá construir, a partir do início do ano que vem, uma cidade administrativa na capital, Praia. O governo brasileiro está apoiando o projeto com financiamento. O investimento total da obra é de € 300 milhões.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fonte: Estadão

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