CRESCER na medida certa com a força dos clientes privados
 
Com 45 anos de atividades no País, cerca de 430 obras executadas somando quase 7 milhões de m² de área construída e projeção de faturamento, este ano, de R$ 600 milhões, a Hochtief do Brasil valoriza o fator humano e apoia-se na força dos clientes privados para continuar crescendo

Nildo Carlos Oliveira

Um encontro, na sede da empresa, com Detlef Dralle, diretor presidente, e André Alexandre Glogowsky, presidente do conselho de administração, remete de imediato a uma história que mostra por que o crescimento da Hochtief do Brasil se dá com simplicidade, sem surpresas, coerente com as nuanças do mercado da engenharia e da construção. “Não queremos crescer na medida em que o crescimento do mercado  possa ser projetado”, diz Detlef, “mas, crescer na medida de nossa capacidade”. E André Glogowsky corrobora: “Queremos crescer, sim, mas fazendo, com excelência, o que sabemos fazer.”
Um painel, nas salas dos dois executivos, montado com fotos de obras realizadas desde os anos 1960, compondo o que eles chamam de Cidade da Hochtief, mostra, na prática, para esta edição da revista, o perfil da empresa eleita pelo O Empreiteiro, a Empresa de Engenharia do Ano na categoria Edificações. Ali estão construções que passaram a ser ícones representativos do que ela tem sido capaz de fazer a partir de bons projetos e emprego  de avançadas práticas construtivas, segundo os conceitos de sustentabilidade ambiental que vêm orientando os novos caminhos da engenharia e da construção no mundo. E tudo isso tem sido realizado dentro de um modelo de crescimento adotado desde que a empresa, originária da Hochtief alemã, começou a enraizar-se no Brasil.
Um passeio pela Cidades da Hochtief permite ver, no decorrer dos anos, obras tais como o primeiro Shopping Praia de Belas, construído à beira do Guaíba, no Rio Grande do Sul; o Instituto Santa Úrsula, disposto em área central de Ribeirão Preto (SP) e fator de modernização local; a nova fábrica da Volks (Audi), em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR); pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), construídas em consórcio com empresas privadas; as obras civis  para os altos fornos da ThyssenKrupp da CSA, e, em São Paulo (SP), o Hilton Hotel Morumbi; a sede do BankBoston; o Shopping Villa Lobos; as novas alas do Hospital Albert Einstein; a nova sede da Petrobras, em Vitória (ES), projetada por Sidônio Porto, e outras edificações.  
O padrão Hochtief de construção começou a ser difundido no Brasil, depois que a empresa, fundada na Alemanha há 138 anos, encabeçou, em 1966, o consórcio integrado pela Montreal Empreendimentos e Deconsult (daí o nome HMD), que realizou os estudos de viabilidade do metrô paulistano. Contudo, aqui ela adquiriu feição e características próprias e, desde aquela época, tem mantido autonomia na definição e cumprimento de seus propósitos.  Não deixa de conservar, porém, valores do grupo alemão e de lembrar a importância de poder contar, sempre que haja necessidade disso, de uma retaguarda tecnológica consolidada na experiência de obras internacionais realizadas nos mais diversos países. 
 As duas entrevistas a seguir, dos engenheiros Detlef Dralle e André Glogowsky, situam a importância da empresa no cenário da engenharia brasileira e mostram a coerência do modelo de crescimento que ela tem adotado. Em 1999, em entrevista ao O Empreiteiro, coincidentemente para este mesmo jornalista, para matéria em que a empresa era então reconhecida como a Construtora Imobiliária do Ano, Gele disse: “Temos que ter noção de que somos prestadores de serviços. Equipamentos podem ser comprados ou alugados; financiamento é obtido no banco. Já com pessoas, é diferente. Elas têm que ser treinadas e preparadas.”
Passados 15 anos daquela entrevista, a Hochtief continua, conforme se verá no depoimento de Detlef, preocupada, primeiro, com o fator humano; depois, com a técnica.  Pelos dados disponíveis, o modelo de crescimento que ela tem adotado desde a sua fundação, continua a ser uma lição de coerência e de resultados positivos, para ela e para os clientes.  
 
A entrevista com Detlef Dralle
 
“As nossas obras são marcantes, dentre outras, por três características: tecnologia, qualidade e modernidade”
 
Detlef Dralle, diretor presidente da Hochtief, chegou da Alemanha para ingressar na empresa brasileira, há 15 anos.  Ele mantém na memória o histórico das obras anteriores a essa data, mas disse que prefere falar daquelas que acabaram fazendo parte de sua vivência profissional, em período recente.  
“Importante acentuar”, diz o executivo, “que em seus primórdios no Brasil, a nossa empresa manteve um perfil voltado para obras industriais. E, quando aqui cheguei, esse perfil continuou marcante. Veja-se o exemplo da nova fábrica da Volkswagen (Audi) em São José dos Pinhais (PR). Obra importante, projeto ousado, várias inovações. Sem dúvida, um marco do ponto de vista de planta industrial”.  
Daquela data até hoje, muitas outras obras, industriais e edificações corporativas de traço arquitetônico e tecnológico avançado, vincariam o crescimento da empresa.  E, dentre estas, o BankBoston, construído em 2002 em conjunto com a AMN Engenharia, a partir do projeto de arquitetura do escritório SOM, em parceria com o escritório técnico Júlio Neves.
O edifício, de 28 pavimentos, na marginal do rio Pinheiros, caracteriza-se de imediato pela torre concebida em granito, vidro e inox e pelas múltiplas combinações que resultaram em conforto térmico-acústico e em boa solução calcada nos princípios da sustentabilidade ambiental. A obra, que valoriza o espaço cultural oferecendo um auditório com capacidade para 270 pessoas, tem 90.000 m² de área construída e significou um momento de inovação em prédio desse tipo. “Em minha opinião”, enfatiza Detlef, “essa edificação não tem precedentes. Advém de um projeto internacional, adaptado aqui às peculiaridades locais, já concebido segundo o conceito de empreendimento green building”. 
Impossível, também, na ênfase que ele manifesta, não lembrar o Cyber Data Center, da Brasil Telecom, em Brasília (DF), cuja construção se desenvolveu a cargo do consórcio Hochtief/Jotagê, a partir do projeto do escritório Sérgio Teperman Arquitetos, que registra outras experiências na concepção de edifícios para telecomunicações.  O projeto estrutural ficou a cargo do engenheiro Virgílio Ramos, que tem calculado outras estruturas para a empresa. Atualmente, apenas para coroar outros exemplos que poderiam ser relacionados, Detlef cita as obras de modernização e ampliação do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP) – ver matéria específica -  e a nova sede da Petrobras em Vitória (ES),  que vem sendo realizada em consórcio com a Norberto Odebrecht e Camargo Corrêa. Esta edificação foi projetada pelo escritório do arquiteto Sidônio Porto, que venceu concurso nacional promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). O cálculo da estrutura de concreto é de responsabilidade do escritório Aluizio A. M. D´Ávila e, o da estrutura metálica, a cargo do engenheiro Flávio D´Alambert, do escritório Projeto Alpha.
 
“A nossa inflexão maior é para os clientes privados. A área de infraestrutura no Brasil, para clientes privados, ainda é limitada”
 
“Ao falar dessas obras”, comenta Detlef: “Temos de enfatizar o potencial de nossa engenharia, no Brasil, sem deixar de mencionar a reputação do Grupo Hochtief lá fora”. Lembra ele que  o grupo alemão foi considerado, em 2009, o sétimo maior fornecedor de serviços de construção  no mundo. “O impacto disso está no fato de que grande parte de nossos clientes opera internacionalmente e que, portanto, temos compromissos com a prática da melhor engenharia”.
Lá fora, o grupo relaciona, em sua folha de experiências, grandes obras de infraestrutura e de concessões de serviços tanto nessa área quanto em outros segmentos, incluindo concessões para a operação e manutenção de hospitais. Aqui, no entanto, a Hochtief do Brasil adota uma política voltada predominantemente para o mercado de clientes privados, conforme exemplificam os números de suas realizações.
A empresa considera que, no Brasil, na área de infraestrutura, que a rigor corresponderia, para ela, a um terceiro segmento, o mercado de clientes privados ainda é limitado e não oferece oportunidades para um volume de obras satisfatório e competitivo. Assim, é compreensível a inflexão mais forte para os clientes privados dos segmentos industrial e de edificações para outros fins.
 
“Pré-construção e engenharia de valor, duas faces de uma mesma moeda”
 
Existem, para a Hochtief do Brasil, algumas palavras-chaves de significado especial: pré-construção e engenharia de valor.  Detlef explica-as do seguinte modo: “Muitas vezes o cliente procura a nossa empresa mantendo, na cabeça, uma ideia, digamos assim, precoce. Quer realizar um empreendimento – uma indústria para lançar uma nova linha de produtos, por exemplo. E precisa fazer um investimento com esse objetivo. Às vezes ele nos chega já com um projeto ou um pré-projeto prontos. Às vezes, não. É exatamente nessa fase – a fase da pré-construção – que os ajustes podem ser feitos com boas vantagens técnicas e econômicas para o cliente. Podemos mostrar-lhe a melhor maneira de executar o empreendimento, expondo o nosso know how, o melhor detalhamento. Além disso, em existindo consenso nessa etapa, o diálogo prospera mais facilmente e todos os problemas que eventualmente surjam já têm, por antecipação, as soluções propostas. A pré-construção, portanto, nada mais é do que a possibilidade que oferecemos de alocar o nosso conhecimento, a experiência de nossos engenheiros e demais colaboradores, em favor do cliente. O BankBoston é um exemplo, um dos maiores, de projeto executado com a prática desse procedimento.”
Quanto à engenharia de valor, Detlef diz que se trata de outra maneira de dizer que a boa engenharia, invariavelmente e de maneira constante, agrega valor desde a análise e elaboração do projeto, até a etapa final, com uma ressalva: ao longo de todos os estágios da execução da obra, o ponto forte da engenharia repousa na capacidade e no treinamento do fator humano.
 “Pré-construção e engenharia de valor são, para nós, faces de uma mesma moeda”, afirma o executivo. E continua: “Hoje, a tecnologia, em suas múltiplas possibilidades e variações, está disponível no mercado. O mercado precisa de instalações industriais, de escritórios, de novas concepções de espaço. Mas, para mexer com a tecnologia, precisamos da capacitação humana. Por isso, valorizamos a nossa equipe, o nosso engenheiro. Criamos aqui uma cultura empresarial que nos permite conservar os nossos valores”.
Segundo ele, essas equipes se renovam na medida em que são renovados os seus conhecimentos. Nessa linha de raciocínio, o mesmo engenheiro que mantém os primeiros contatos com o cliente continua o mesmo, durante e depois da obra. “Porque, aqui, o engenheiro não é contratado para uma determinada obra. É contratado para Hochtief.”
 
“Jamais dar um passo maior do que a perna”
 
Ao levar-se em conta que a empresa no Brasil tem um grupo forte lá fora, que pode lhe proporcionar retaguarda para voos mais altos, por que a Hochtief do Brasil não parte para uma política mais agressiva de crescimento? A pergunta é recorrente. E o presidente da empresa se apressa a responder: “Porque jamais procuramos dar um passo maior do que a perna.”
Detlef Dralle diz que na avaliação de muita gente a empresa poderia facilmente dobrar o faturamento, que no ano passado foi da ordem de R$ 500 milhões. Só que a empresa não pensa assim. Ela quer crescer, mas de olho na possibilidade de garantir, para o cliente, a qualidade dos serviços que deve prestar.
 “Não vamos crescer na velocidade que nos pedem, mas na velocidade que julgamos necessária para entregar as nossas obras com a qualidade exigida e no prazo contratual estabelecido. Vou citar um exemplo: digamos que o mercado registre a previsão de um crescimento da ordem de 20% ao ano. A partir desse índice, vamos avaliar o percentual possível de nosso crescimento. Se conseguirmos crescer 5 ou 10%, em relação àquele índice, não nos sentiremos frustrados, mas satisfeitos, pois o nosso crescimento está identificado com a capacidade de nossa equipe. Porque construção é equipe e só nos valorizamos, se valorizarmos o fator humano”.  Seguindo esse modelo de crescimento, a Hochtief pretende obter, este ano, faturamento da ordem de R$ 600 milhões.
 
A entrevista de André Glogowsky
 
“Ao longo dos últimos 45 anos vimos agregando muitos valores à engenharia. Técnicas que adotamos pioneiramente fazem parte, hoje, do dia a dia da construção”
 
André Glogowsky ingressou na Hochtief do Brasil, como estagiário, em 1979. Em 1982 foi efetivado como engenheiro de obras. E, foi assim, de conquista em conquista, que atualmente está na presidência do conselho de administração. No currículo, um longo aprendizado de mercado, de técnica e de visão empresarial.
“O fato de sermos uma empresa mundial, e de pertencermos a uma empresa mundial de ponta, nos permite acesso a um universo muito amplo de tecnologias. Mas é necessário reconhecer: se este acesso hoje é mais fácil, na estrutura de um mundo globalizado, no passado as coisas não eram assim”. 
E, não eram mesmo. Tanto, que a partir da fundação, a empresa procurou se acercar das melhores tecnologias e de acessar aquelas que então só eram disponíveis nos mercados externos. Buscou inovações adotando moderno sistema de fôrmas, substituindo as fôrmas metálicas, por aquelas de madeira. Buscou inovações também com o emprego das chamadas mesas voadoras - aquele sistema em que a fôrma é simultaneamente utilizada para execução das lajes e do escoramento. Depois da concretagem a mesa é removida por grua para operação idêntica no pavimento seguinte.  “Lembro que, concluída uma obra com esse sistema, olhávamos em volta e ainda não víamos nenhuma outra construtora recorrendo à técnica semelhante”, diz Glogowsky.
Ele lembra que a Hochtief do Brasil foi uma das primeiras construtoras do País a adotar o sistema till-up, em 1982, na execução da ala 21 para o cliente Volkswagen. Consiste na execução das paredes no chão, para posterior içamento simultâneo, o que propicia, à obra, vantagens evidentes do ponto de vista de rapidez de montagem e liberação de espaços para outros serviços concomitantes. André diz que a empresa não fala em primazia no emprego dessa e de outras técnicas, mas no fato de poder contar, na época, com tecnologia de ponta para obras em que anteriormente ela não era adotada. 
Além disso, a empresa empregou outra inovação – o chamado braço de distribuição de concreto, um sistema que combina o bombeamento de concreto com um sistema de distribuição do material recorrendo à operação de grua. Hoje, o sistema está bastante difundido. Há 30 ou 40 anos, no entanto, as coisas não eram assim.  Haja vista que a empresa recomendou, em 1981, o uso do sistema, na construção da usina nuclear Angra 1.
Com as práticas inovadoras, que aos poucos eram assimiladas como rotina, a empresa desenvolveu várias outras obras de qualidade, além daquelas mencionadas por Detlef: a torre Oeste do Centro Empresarial Nações Unidas (Cenu); o Centro Empresarial Transatlântico, Hilton Hotel, o retrofit do Edifício Castelo (RJ), as obras  civis da UTE Termório em Duque de Caxias (RJ), com capacidade de geração de 1.040 MW, as obras  ivis da Mina de Bauxita para a Vale, em Paragominas (PA); o Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, com área da ordem de 400 mil m² e, mais recentemente, o Eco Berrini, pré-certificada Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), na categoria Platinum.
No conjunto, essas obras espelham propostas desafiadoras que a empresa aceitou conduzir a bom termo, dentro dos prazos contratuais fixados – 26 meses – usando todas as técnicas modernas disponíveis para tornar viáveis projetos que previam edificações de 40 lajes, com mais de 100 mil m², providos de todo o conforto possível e de estruturas adicionais para heliponto. Nesse caso, segundo André Glogowsky, o Eco Berrini resume as possibilidades da engenharia “quando você pensa, planeja, dispõe de sistema industrializado para fazer e pode contar com equipes preparadas e motivadas para esse fim”.
 
“Seja qual for o exercício de futurologia, o que pretendemos é continuar a fazer o que sabemos fazer”
 
Ao fazer rápido balanço dos últimos 45 anos da empresa, André lembra que ao longo desse período muitas outras construtoras apareceram, fizeram obras e, depois, apagaram as luzes e desapareceram. É em razão dessas circunstâncias do mercado, que a Hochtief se mantém fiel ao modelo de crescimento que vem adotando. Por isso, seja qual for a futurologia, “pretendemos continuar a fazer o que sabemos fazer, de modo cada vez mais aperfeiçoado e buscando as melhores técnicas”.
Com essa orientação, a empresa pretende, nos próximos anos, continuar a qualificar as equipes que vão assumir esses mesmos princípios e assim continuamente, mas considerando que a velocidade do crescimento do mercado nem sempre pode ser a mesma velocidade do crescimento da empresa. 
“Acredito no potencial do mercado brasileiro”, acentua André. “Mas somos, aqui no Brasil, uma empresa média, que pretende estar ainda mais presente em São Paulo e em todas as demais regiões brasileiras. Mas não podemos, por conta do crescimento do mercado, perder a noção do chão. Crescer, sim, mas fazendo obras com excelência”.
Ele diz que, a partir de um plano estratégico bem elaborado, a Hochtief vem agregando outros segmentos ao seu portfólio. “Já agregamos energia, construindo usinas térmicas e nove PCHs, como as obras de Retiro (situada no município de São Joaquim da Barra-SP), Palmeiras (na divisa dos municípios paulistas de Guará e São Joaquim da Barra), ambas com 16,5 MW de potência instalada e Santa Fé (localizada em Três Rios-RJ, com 30 MW de potência instalada).
E, assim como hoje a empresa tem se concentrado mais em obras industriais e em edificações, amanhã poderá estar agregando incorporação, construindo um porto ou outro tipo de obra, acompanhando o vaivém do mercado.
“Tudo precisa estar ajustado a nossa realidade”, diz André, “lembrando que lá fora o Grupo Hochtief atua em todo o conjunto da cadeia da construção e da engenharia, estabelecendo parcerias público privadas, realizando a gestão de presídios, escolas, hospitais, conservatórios. Está ingressando na Índia, no Canadá e em outros países, projetando, alugando vendendo, construindo.” Destaca, porém, que isso é lá fora.  “Aqui, nós somos a Hochtief do Brasil.”
 
 


sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fonte: Estadão
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