Quando o edifício Eco Berrini, empreendimento de padrão green building, ficou pronto em uma das avenidas mais movimentadas da capital paulista, a Luiz Carlos Berrini, havia muito mais do que práticas de sustentabilidade no prédio. Para sua construção, desafios proporcionais à importância final do projeto foram enfrentados.
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O prédio, concebido de forma elíptica, com acabamentos diversos, apresentou a partir do 27º ao 35º pavimento complexidade devido a recuos das varandas, sky light, empena, além de heliponto em estrutura metálica em sua cobertura. Também a localização, densamente ocupada por outras edificações comerciais e ainda situada em uma avenida onde passam 50 mil veículos/dia, exigiu redobrada atenção durante os serviços de execução. Com pouca área livre no entorno, o canteiro de obras exigiu planejamento criterioso para funcionar adequadamente. Na questão da logística, foi montado um depósito externo de apoio à obra, para que os principais materiais, especialmente o aço, fossem estocados e transportados diariamente para o atendimento do cronograma.
No caso ainda da logística, a Hochtief utilizou três gruas de tamanhos diferentes, dois elevadores cremalheiras com cabines duplas adaptadas para as necessidades do empreendimento, além do apoio com caminhões guindauto (“Muncks”) e carretas nas diversas movimentações de materiais e mudanças internas. O destaque em termos de equipamentos no Eco Berrini foi a montagem, operação e desmontagem de uma grua capaz de suportar até 4 t na ponta de uma lança de 45 m e que atingiu a altura de 167 m.
A obra ficou a cargo da Hochtief do Brasil e se iniciou com o pré-certificado Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) na categoria Platinum, o que significa que em todo o processo construtivo foram criadas soluções que permitissem reduzir os impactos ao meio ambiente.
Estrutura e fundações
Com 101 mil m² de área construída, o prédio foi feito de concreto armado. O edifício foi erguido com duas entradas, com um túnel entre elas. O hall de entrada possui de 18 m de altura e 12 m de vão e tem as fachadas com vidros translúcidos. Do 5º andar em diante, a edificação se torna um único bloco, formando o pavimento-tipo.
Um mastro distribuidor chamado place and boom — um equipamento hidráulico que se eleva junto com a estrutura, movimentando-se a cada dois andares — foi usado para a concretagem das lajes e pilares, possibilitando ganho de tempo e dispensando gruas para se executar o serviço.
O mastro distribuidor pode girar 360º e alcançar até 30 m de raio, o que permitiu atender toda a laje, concretada em duas fases, com dois dias de defasagem de uma para outra.
No bloco principal de fundação, devido ao grande volume de concreto, usou-se retardador de pega e gelo adicionado na betoneira. O pilar central possui 10 mil t. Já as cargas das torres variam de 1,7 mil t a 10,5 mil t.
A sapata do pilar principal chegam a medir 13 m x 17 m. As sapatas estão de 20 m a 21m abaixo do nível do solo. Ao todo, são 24 sapatas na torre.
Para a construção dos cinco subsolos, foram realizados 17 m de escavação. Na contenção dos mesmos, cinco linhas de tirantes formam a parede diafragma, com as duas últimas suportando 150 t de carga.
Ficha Técnica Edifício Eco Berrini
Período da obra Junho/2008 - Abril/2011
- Construção: Hochtief
- Arquitetura: Aflalo & Gasperini
- Projeto estrutural: JKMF
- Paisagismo: Somar Arquitetos
- Altura total da torre: 140,07 m
- Pavimentos: 35 andares, 5 subsolos, cobertura e edifício garagem
- Fachada: 26 mil m²
- Área construída: 101.000 m²
- Área do terreno: 23.485,91 m²
- Volume de concreto 42,5 mil m³
- Alo frouxo: 4.747 t
- Aço protentido: 202.785 t
- Maior laje: 1.977 m²
- Área de fôrmas: 184.500 m²
- Elevadores: 23 unidades
- Escadas: 4 unidades enclausuradas com acessos independentes com larguras 1,20 m e 2,20 m
- Geradores: 4 unidades e cada um com 1.275 kva
- Estacionamento: 1.920 vagas
- Colaboradores no pico da obra: 830
Planejamento e técnicas ágeis
garantem prazo
A Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Fé, construída pela Hochtief do Brasil para a Santa Fé Energética, está localizada no entroncamento de duas importantes estradas, em Três Rios (RJ): a BR 040, que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, e a BR 393, que liga a região Nordeste a São Paulo. O planejamento e técnicas construtivas ágeis foram fundamentais para entregar a obra no prazo previsto: entre março de 2006 e março de 2008. A PCH tem 30 MW de potência instalada (duas unidades geradoras de 15.515 MW).
O arranjo escolhido para a implantação da obra previu as principais estruturas de concreto fundadas em rocha gnáissica, com graus de alteração A1 (são), coerência C1 (coerente), fraturamento F1/F2 (pouco fraturada) e condutividade hidráulica H1/H2 (baixa). Por baixo da fundação da tomada d’água de geração, galeria de adução e casa de força a rocha gnáissica sã apresentou-se com níveis bem fraturados.
O aproveitamento hidrelétrico deu-se através de um reservatório de derivação, fora da calha do rio Paraibuna, formado com o barramento de parte da vazão deste rio, através de um Canal de adução e um túnel, fazendo-se a tomada d’água cerca de 8 km rio acima do local da casa de força, na altura da Fazenda Palmira. A casa de força foi realizada no pé do barramento principal, na altura da Fazenda Piracema.
Dentre os serviços ali executados destacam-se a escavação do túnel, realizada com jumbo; a britagem, tanto de agregados para o concreto quanto para material de transição e o enrocamento, realizado na área industrial da obra e, ainda, o desenvolvimento de traços para o concreto utilizando areia artificial; a execução das estruturas da tomada d’água e da casa de força com fôrmas deslizantes; e a utilização de biomanta no recobrimento dos taludes.
A obra da PCH Santa Fé é composta por diversas estruturas: barragem vertente, escada de peixes, vazão sanitária, canal de adução, estrutura de controle, túnel de adução, circuito de geração (tomada d’água, galeria, casa de força e subestação) e um total de quatro barragens, sendo duas de terra (diques), uma de concreto armado (vertedouro) e uma mista de enrocamento e solo (principal).
Para cumprir as etapas de construção no prazo estabelecido, foram disponibilizados dois turnos de trabalho (diurno e noturno), instalados canteiros avançados na obra, assim como consultorias para diversos serviços (concreto, túnel e controle tecnológico).
Resumidamente, as soluções técnicas de engenharia mais importantes, ali adotadas, foram as seguintes:
• Execução de fôrmas deslizantes e trepante.
• Execução de estruturas pré-moldadas na casa de força.
• escavação do túnel em duas frentes, montante e jusante.
• Utilização de duas gruas na execução da tomada d´agua e da casa de força.
• Pré-montagem das comportas segmentos.
Ficha técnica PCH Santa Fé
Concreto: 36.000 m³
Cimento: 9.500 t
Armadura: 1.750 t
Formas: 24.000 m²
Escavações comuns: 961.500 m³
Escavações nas áreas de empréstimo: 620.000 m³
Escavações em rocha a céu aberto: 144.100 m³
Escavações subterrâneas – túnel: 47.530 m³
Pedreiras: 80.000 m³
Aterros /enrocamentos: 800.000 m³
Revegetação: previsto 16 ha, mas realizado 40 ha
Acessos: 25 km
Sinergia marca execução da fábrica da Prysmian
A execução dos serviços de ampliação com a fábrica em funcionamento, para garantir o fluxo das atividades de produção, foi a dificuldade colocada para a Hochtief do Brasil na unidade fabril de cabos umbilicais da Prysmian Energia Cabos e Sistemas, em Vila Velha, na Grande Vitória (ES). As entregas parciais dos espaços ampliados, para montagem de equipamentos, ocorreram no prazo, apesar das complexidades das operações de construção.
As fundações constituíram outro ponto de complexidade, uma vez que tiveram de ser recorrer a diversas modalidades, tais como: estaca raiz, tirantes, estacas metálicas, estacas de densificação, estacas raiz encamisadas e armadas simultaneamente.
A ampliação da unidade permitirá à Prysmian a produção de tubos flexíveis, visando atender ao mercado de exploração de petróleo em águas profundas na região. O empreendimento compreende a execução, junto ao porto local, de obras de dragagem, enrocamento, aterro de areia e pedra, e execução de pavimentação com solo-brita plataforma para embarque de bobinas, bem como a construção de um galpão incluindo serviços de fundação, vigas para movimentação de cargas (pórtico e skids rollers), piso de concreto, estruturas metálicas, cobertura metálica e fechamento lateral em telha metálica.
A dragagem da obra foi executada por meio de clam-shell e da utilização de um batelão para o transporte dos resíduos da dragagem, que foram levados para um bota-fora no alto mar a 8,5 milhas náuticas do site. O enrocamento e o aterro de pedra foram executados utilizando-se transporte rodoviário. A logística para esse fim mobilizou um grande volume de caminhões na obra e no entorno.
O aterro de areia foi executado com areia de jazida marítima, embarcada e descarregada por meio de draga, assim como, também, por via terrestre por caminhões. Posteriormente foi necessária a instalação de drenos fibroquímicos para a aceleração de recalque.
Os complexos serviços de fundações teve o auxílio da Geoconsult. Os engenheiros encontraram uma solução mista composta por estacas tipo raiz/chumbadores para as fundações do galpão e das vigas do pórtico e skids rollers; estacas de densificação, que são estacas franki com areia e brita para melhoria do aterro e execução de fundação direta para as vigas dos skid rollers; e cravação de perfis metálicos para as vigas dos skid rollers.
Além disso, o piso de concreto, com capacidade para empilhadeiras de até 25 t, foi executado com uma nova tecnologia de piso de concreto não armado, chamada “laje-fundação” ou “concreto semi-contínuo”.
Toda a estrutura do galpão foi concebida em estrutura metálica galvanizada a fogo, devido à grande agressividade da área, que está em uma região marítima.
Ficha técnica
Período da obra: maio/2009 a agosto/2011
Construtora: Hochtief
Arquitetura: Favale e Associados
Projeto estrutural: MCA Tecnologia e Estruturas e Geoconsult
Dragagem: Estrutural
Área de acréscimo de terreno: 13.450 m²
Área construída: 9.550 m²
Volume de dragagem: 46.800 m³
Volume de enrocamento+aterro: 195.000 m³
Concreto: 5.700 m³
Trilho: 1.300 m
Estaca Raiz: 6.000 m
Estaca perfil metálico: 1.700 m
Estaca densificação: 1.600 m