Equipamentos de última geração no complexo da VSB
 
Não seria exagero dizer que a pequena e pacata Jeceaba, localizada no Alto do Paraopeba, região central de Minas Gerais, a cerca de 130 km de Belo Horizonte, teve sua história dividida antes e depois da construção do complexo siderúrgico integrado da Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil (VSB), um mega empreendimento fruto de uma joint venture formada entre o grupo francês Vallourec e o japonês Sumitono Metals.
O complexo, a plena capacidade, deverá produzir 1 milhão de t/ano de aço bruto, das quais 700 mil t utilizadas para fabricação de 600 mil t de tubo de aço sem costura com conexão Premium, um produto com alto valor agregado. A produção da usina visa, principalmente, a exportação e atenderá aos mercados em expansão de óleo e gás do Oeste da África, do Oriente Médio e da Ásia.
Na indústria petrolífera, os tubos de aço sem costura são indicados para a extração de petróleo e revestimento de poços em ambientes críticos, pela sua característica de maior resistência a altas temperaturas e pressões externas. Desde 2008, quando do lançamento da pedra fundamental e abertura dos primeiros acessos para terraplanagem, até a sua inauguração oficial no início de setembro de 2011, um contingente de mais de 11 mil operários, técnicos, engenheiros e outros especialistas de diferentes nacionalidades se dedicaram a erguer este complexo siderúrgico. Em operação, a usina propiciará a geração de 1,6 mil postos de trabalho diretos e cerca de 3,1 mil indiretos.
O empreendimento da VSB se destaca pelo seu porte e pela utilização de tecnologia de ponta. Todos os equipamentos são de última geração e baixo consumo de energia: estado da arte, tanto do ponto de vista tecnológico quanto em relação ao controle de poluição e emissão de ruídos. É, segundo a Guimar Engenharia, o que existe de mais moderno em termos de projeto siderúrgico internacional. Na questão ambiental, o complexo da VSB é ecoeficiente e utiliza o carvão vegetal, uma solução autossustentável, que representa um avanço importante no combate ao aquecimento global, contribuindo para redução das emissões de gases do efeito estufa.
O empreendimento é composto pelas instalações das seguintes áreas operacionais:
- Alto Forno e descarregamento de carvão e minério;
- Aciaria Elétrica com sistema Consteel de carregamento do forno;
- Laminação: Área de Laminação a Quente, Linha de Ajustagem de Tubos, Estocagem Intermediária de Cassetes, Pátio de Matérias Primas, Edifícios e Pontes Rolantes, Tratamento Térmico, Rosqueamento e Montagem de Luvas, Linha de Chanframento, Fábrica de Luvas, Expedição;
- Energia & Utilidades: captação de água, adutora, estação de tratamento de água e efluentes, cinco estações de tratamento de efluentes para várias áreas, SE de recebimento de energia (345 KV), SE principal, sete SEs unitárias, pipe rack e cable rack, linha de transmissão (345 KV), gasoduto, fábrica de oxigênio.
 
Gerenciamento da implantação
A implantação de um projeto deste porte representa enormes desafios, principalmente levando-se em conta as limitações dos recursos disponíveis na região e as restrições de prazo e custos. Com a engenharia de detalhamento da parte civil da laminação e as obras de terraplenagem em andamento, bem como a contratação do fornecimento dos principais equipamentos, a Guimar Engenharia foi contratada para o gerenciamento da implantação do empreendimento. Considerando o estágio do andamento do projeto, a sua complexidade e as múltiplas interfaces das instalações, além das metas desafiadoras de prazo e custos, a definição correta do modus operandi do gerenciamento era um fator essencial para bom desenvolvimento da implantação. Neste contexto, a Guimar e a alta administração da VSB acordaram que o gerenciamento compartilhado seria a solução que melhor atenderia às condicionantes do projeto e à cultura das equipes da VSB.
O processo de maturação da organização do gerenciamento exigiu esforços conjuntos da Guimar e da VSB. Após a mobilização de uma equipe da gerenciadora, de elevada qualificação, foram redefinidas, com base no Sistema Guimar de Gerenciamento (SGG) e em conjunto com as equipes da VSB, as estruturas básicas e fundamentais para o bom funcionamento do gerenciamento, contemplando o organograma, a estrutura analítica global do empreendimento, o cronograma gerencial, o sistema integrado de informações, as ferramentas, os procedimentos e as instruções de controle, visando aperfeiçoar e melhorar a gestão do empreendimento.
Em paralelo, como passo inicial para integração das equipes e alinhamento aos objetivos do projeto, a Guimar, em sintonia com a VSB e com a orientação de profissionais especializados, promoveu um seminário com a participação de todos os envolvidos, incluindo representantes da Diretoria das duas empresas. Essas atividades propiciaram o desenvolvimento de um trabalho integrado e harmônico entre as equipes e contribuíram, significativamente, para o sucesso do empreendimento.
 
Metodologia da construção
Para atender às condicionantes de prazo, a implantação do projeto foi planejada considerando um processo agressivo de fast track e atividades críticas desenvolvidas em regime de dois turnos. Além disto, os trabalhos de montagem dos equipamentos mecânicos de grande porte, como os laminadores CTP e PQF, fornos de reveni mento e forno elétrico, foram programados com o uso intensivo de pontes rolantes. Estes processos permitiram ganhos significativos na sequência e na velocidade da montagem eletromecânica, quando comparados ao uso tradicional de guindastes de grande porte.
Por outro lado, a simultaneidade na execução de inúmeras atividades no canteiro de obras, com um efetivo atingindo um pico de 10.600 operários, exigiu uma gestão intensiva e eficaz das atividades relacionadas à segurança e saúde do trabalho (SSO). Os excelentes resultados alcançados na gestão de SSO, refletidos nos valores excepcionais obtidos nos índices que medem o nível de acidentes e a taxa de gravidade acumulada na implantação do empreendimento, demonstram a preocupação e o compromisso da VSB e da Guimar com a segurança e saúde do trabalho.
Com relação ao meio ambiente, foram considerados desde os cuidados básicos como remoção e remanejamento de terra até a destinação de todos os materiais que poderiam ser reciclados e aproveitados.
As obras de terraplenagem foram encerradas praticamente com balanço zero, ou seja, todo material foi aproveitado no local e não houve importação ou exportação de material num total de 22 milhões de m³ de terra. Optou-se também pela produção do concreto no próprio canteiro de obras, objetivando o aproveitamento total das rochas removidas e transformadas em brita, assim como evitar uma grande movimentação de caminhões, considerando um volume de concreto da ordem de 200.000 m³.
 


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Fonte: Estadão
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