República chega aos 122 anos sem a construção da cidadania
Pode-se argumentar que, daquele dia 15 de novembro de 1889 para cá, o Brasil construiu, sim, os meios, para a formação de cidadãos em todo o País. Contudo, uma simples análise da vida do brasileiro nos centros urbanos, ou nas remotas regiões do que se convencionou chamar de “Brasil profundo”, leva à constatação diferente. A República deu um basta à monarquia, despachou D. Pedro 2º e seus familiares para a Europa e desde aquela época vem tentando proporcionar consistência à vida política, econômica e social, sem obter, no entanto, resultados satisfatórios.
Ao longo dessa mais que centenária trajetória republicana tem aumentado demais a distância entre o Brasil real e aquele que se quer para as gerações futuras: um país mais harmônico, solidariamente igualitário, dotado de boas condições de infraestrutura de transportes, saneamento, saúde, moradia, segurança e oferta de empregos para as novas turmas de profissionais que saem todos os anos das escolas técnicas ou dos bancos universitários. Nada disso tem ocorrido nas doses que desejaríamos. A evolução se dá em muitos aspectos, somos até considerados a 8ª economia do mundo, mas a construção da cidadania tropeça nas questões básicas da sobrevivência.
Em muitos casos, o Estado chega depois que os problemas sociais já adquiriram dimensões insuportáveis. Haja vista os casos recentes das ocupações das favelas do Rio de Janeiro. O poder público chega para desalojar o poder paralelo para, só então, cuidar da instalação daqueles instrumentos elementares necessários à formação da cidadania: urbanização, melhoria de equipamentos escolares, construção de postos de saúde, adequações de sistemas de mobilidade urbana, colocação de serviços de abastecimento de água e esgotos e instalação das unidades de polícia pacificadora, as UPPs.  E, se isso ocorre no Rio, não quer dizer que a mesma coisa ou algo semelhante esteja acontecendo em outras cidades, onde problemas análogos se agravam.
Em linhas gerais, as exigências para a formação da cidadania dizem respeito, de perto, também às possibilidades da arquitetura e da engenharia.  Não é por outro motivo que o tema geral da 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, iniciada dia 2 deste mês (novembro) e que se prolongou até 4 de dezembro -  A arquitetura para todos: construindo cidadania  -, colocou o cidadão como protagonista de cada proposta para a melhoria e a razão de ser do espaço construído.
Contudo, essa perspectiva tem sido arrasadoramente frustrada a partir das ações de governo. Ele invariavelmente é o primeiro a fornecer, à sociedade, o exemplo anárquico da má gestão dos negócios e de obras públicas: inverte prioridades, a fim de atender a interesses políticos de grupos que pretende manobrar em favor de seus projetos específicos; deixa de assegurar investimentos para obras que ele mesmo considera como de primeira necessidade, incluindo algumas relacionadas no Programa de Aceleração do Crescimento e não direciona o aumento do volume de recursos arrecadados para as despesas que implicariam impactos sociais generosos em favor da população.
A partir do exemplo que vem de cima, Estados não cumprem compromissos elementares como o pagamento do piso nacional para professores e, as prefeituras, acabam se sentindo à vontade para dar de ombros às exigências dos cidadãos que as procuram. No conjunto, as três instâncias de governo falham em questões primárias e o resultado é a deterioração dos centros urbanos, a facilitação das ações corruptoras e o empobrecimento social, agravado pela falta de perspectiva das novas gerações.
Desde o dia 15 de novembro de 1889 a população vem esperando que os valores republicanos se manifestem em mudanças profundas nos usos e costumes brasileiros. Pelo jeito, ela terá de aguardar uma nova proclamação da República.
 
Obra de arte a céu aberto
O Museu Nacional Honestino Guimarães, o Museu da República, em Brasília, continua a ser observado, pelos visitantes, como uma obra de arte especial a céu aberto. Muitos preferem continuar a admirá-lo de fora, do que a admirar as obras de arte expostas em seu interior
Frase da coluna
“Estamos caminhando para uma dupla percepção geral pela sociedade e pelos governantes: a primeira é que o Brasil dispõe de uma rede rodoviária muito limitada para suas dimensões e, a segunda, é de que, sem passar à gestão privada a responsabilidade de administrar e ampliar parte significativa daquela, teremos o desenvolvimento limitado pela insuficiente infraestrutura de transportes”.
De Moacyr Servilha Duarte, no relatório anual da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).
 
Estações do monotrilho 1
O arquiteto Luiz Esteves, do escritório Luiz Esteves Arquitetura, vem se debruçando, há algum tempo, sobre projetos de estações para o Metrô de São Paulo. Atualmente, ele e equipe têm trabalhado nos projetos das duas primeiras estações do monotrilho na Linha 2 (Vila Prudente e Oratório). Os primeiros 2,9 km desse monotrilho deverão ficar prontos em dois anos. A construção, resultante de um contrato nos moldes PPP, é da responsabilidade das empresas Bombardier e das construtoras OAS e Queiroz Galvão.
A linha 17 – Ouro
O Consórcio Monotriho Integração, formado pelas empresas Scomi, Andrade Gutierrez, CR Almeida e Montagens e Projetos Especiais, está pronto para começar as obras da Linha 17-Ouro do metrô, que terá 21,5 km de extensão e deverá passar pelos bairros do Brooklin, Morumbi e Paraisópolis.  O projeto da linha, orçada em R$ 3,17 bilhões, prevê a construção de 19 estações.  O consórcio aguarda apenas o sinal verde para começar as obras.
 
Metrô e Olimpíada
O Consórcio Rio Barra, formado pela Carioca Engenharia, Odebrecht, Cowan, Servix e Queiroz Galvão, está acelerando as obras da linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, de olho no calendário da Olimpíada de 2016. O engenheiro João Henrique, da Carioca, diz que as obras, incluindo a extensão até a estação da praça General Osório, serão entregues  seis meses antes dos Jogos Olímpicos, a fim de que o trecho entre a tempo na fase de testes. Cuidados especiais têm sido adotados no processo de escavação em rocha, realizado pelo método drill and blast.
Lições do Titanic
O empresário Pedro C. Ribeiro, sócio-diretor da Stratech/The ProjectOffice, debruçou-se sobre a história do projeto do navio inglês Titanic, considerado da maior segurança, e que afundou em sua viagem inaugural ao colidir com um iceberg na noite de 14 de abril de 1912, matando 1.500 pessoas. O autor do livro, publicado este ano pela editora Reina Editorial, extrai do exemplo numerosas lições práticas. Eis algumas:
• Crises, tanto em projetos quanto em estratégias organizacionais, podem ser evitadas.
• Crises não acontecem por acaso.
• Tecnologia, processos e softwares são importantes auxiliares e não substitutos da liderança e conscientização.
• Todos somos responsáveis pela prevenção de crises.
• Toda crise tem um precedente; nenhuma é original.
Da Flórida para o Brasil
Carlos Rosso, presidente da construtora americana Relarted Group, que atua em Miami, tem confirmado: a empresa, que possui empreendimentos no México e na Colômbia, pretende mesmo ingressar no mercado imobiliário brasileiro. A partir de janeiro deverá instalar escritório em São Paulo, a fim de prospectar terrenos para construir residências e hotéis.

Intermat
A Intermat 2012 – Exposição Internacional de Materiais e Técnicas para as Indústrias da Construção e Materiais, a realizar-se no Parque de Exposição “Paris-Nord Villepinte”, de 16 a 21 de abril do ano que vem, deverá ocupar área de 375 mil m² e contará, ainda, com uma área externa, para demonstrações, de 20 mil m². A expectativa dos organizadores é que por lá passem cerca de 200 mil visitantes.
Trecho norte do Rodoanel
Ambientalistas se dizem surpreendidos com a decisão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que na primeira semana deste mês (novembro) aprovou empréstimo de US$ 1,1 bilhão para a construção dos 44 km do trecho norte do Rodoanel. Eles têm se manifestado contra o traçado do trecho que deverá passar pela Serra da Cantareira, considerada reserva da Biosfera, pela Unesco.
 
Prêmio Ernesto Pichler
O geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos recebeu, no dia 2 deste mês (novembro), no Espaço Apas, da rua Pio XI, 1.200, Alto da Lapa, São Paulo, o Prêmio Ernesto Pichler. A homenagem, a maior na área de Geologia de Engenharia e Ambiental, ocorreu na abertura do 13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental, ali instalado.  Álvaro, colaborador desta revista, é autor de várias obras no campo da geologia, dentre elas: “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”; “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos”.
Sobre o Plano SP 2040
Está aí, colocado nos meios técnicos e empresariais paulistas, o chamado Plano SP 2040, que trata das diretrizes e metas da prefeitura paulistana para o horizonte dos próximos 30 anos. O que se questiona, a partir desse SP 2040, são os planos anteriores, alguns dos quais não foram colocados em prática no todo ou em parte. O das enchentes, por exemplo. Daí, o receio de que este seja mais um balão de ensaio do que um plano a ser efetivamente para valer.
 
Delta, 50 anos
Na série de iniciativas para comemorar 50 anos de atividades, a Delta Engenharia lança a revista institucional Panorama, onde dá conta de suas realizações nos diversos segmentos em que tem atuado. Fernando Cavendish Soares, presidente da empresa, diz que ela está recuperando a rodovia BR-174, que liga o Amazonas a Roraima; acompanha de perto o desenvolvimento do pré-sal e trabalha em favor da expansão imobiliária do Rio de Janeiro, com vários lançamentos este ano. E ressalta a participação na reforma do Maracanã para a Copa de 2014.
84º Enic
O próximo Encontro Nacional da Indústria da Construção (84º Enic) ocorrerá em Belo Horizonte, em junho do ano que vem. Luiz Fernando Pires, presidente do Sinduscon-MG (foto), e Alberto Salum, presidente do Sicepot-MG, começam a atuar articuladamente, e com muito empenho, para o êxito do encontro.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Fonte: Padrão
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