Demandas além das praças oficiais dos megaeventos

 

O mercado de projetos e construção não está de olho apenas nas obras relacionados às praças esportivas oficiais de realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Centros de treinamento e arenas indoor também ganham importância para atender delegações antes e durante os megaeventos esportivos e também para competições internacionais que crescem no Brasil.
Em dezembro, por exemplo, o país sedia o Campeonato Mundial Feminino de Handebol 2011. É a primeira vez que este evento acontece no hemisfério sul. Quatro cidades do estado de São Paulo estão envolvidas: Barueri (Ginásio José Corrêa), Santos (Arena Santos), São Bernardo do Campo (Ginásio Adib Moyses Dib) e São Paulo (Ginásio Ibirapuera) – os equipamentos esportivos possuem capacidade mínima de 5 mil pessoas, exigência para receber o torneio.
Para todos eles houve um exaustivo trabalho de adequação e adaptação de quadra, vestiários, áreas de imprensa e autoridades, dentre outras, aos padrões e normas exigidos pela Federação Internacional de Handebol. O escritório Effect Arquitetura assumiu este trabalho. “Os nossos ginásios são muito antigos, quando normas e medidas das quadras eram outras. Já os novos não foram projetados pensando nos grandes eventos e soluções, como fluxos de pessoas e organização”, relata Celso Grion, que além de sócio-diretor da Effect é diretor para Instalações Técnicas do Comitê Organizador do Mundial.
Segundo o arquiteto, o Brasil deverá atrair cada vez mais eventos desse tipo e precisa urgente remodelar seus centros esportivos. “Dessa forma, poderemos nos aperfeiçoar em todas as disciplinas envolvidas, não só da construção e manutenção dos espaços esportivos, como nas áreas de logística, hospitalidade, segurança, marketing etc. Estamos parados no tempo quando falamos do desenvolvimento do esporte em nível mundial”, expõe. Grion explica que já existe uma “explosão” no País de projetos de centro de treinamento, mas ressalta que há diferença entre praças esportivas de alto desempenho e de lazer, com demandas específicas de construção, manutenção, de funcionalidade e de desempenho.
O Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 (COL) já divulgou uma lista de centros de treinamento em todo o Brasil que estão inicialmente aptos para receberem seleções estrangeiras durante a competição de futebol. Novas seleções serão feitas pelo COL. Mas a definição final da lista a ser oferecida aos países classificadas para o Mundial será apresentada somente em 2013. Há diversas exigências que vão desde logística e transporte às condições gerais de atendimento aos jogadores e imprensa. Os Jogos Olímpicos também exigem este tipo de estrutura aos países participantes. Em 2012, o Brasil hospedará seus atletas para se adaptar e se preparar para os Jogos Olímpicos de Londres no Crystal Palace National Sports Centre, localizado no sul da cidade. É a primeira vez que o Brasil aloca um espaço para seus atletas olímpicos treinarem. Antes, a delegação brasileira – ou a maioria dela – só se hospedava na vila olímpica dos Jogos.
Com isso, o Brasil faz como os países que costumam abocanhar muitas medalhas em Olimpíadas, como os Estados Unidos e Alemanha. A delegação das potências costuma alojar seus atletas em centros de treinamento com mais conforto para, assim, disputar como melhores chances as suas competições. O Crystal Palace National Sports era o maior centro esportivo de Londres antes do Parque Olímpico ser construído. O local tem um estádio de futebol com pista de atletismo, além de campo de hóquei, quadras de tênis, quadras de vôlei de praia e um imenso ginásio com piscinas e áreas esportivas diversas. Há também acomodações para os atletas.
Para 2016, deveremos também estar preparados para este tipo de demanda.
 
Plano Geral Urbanístico
• 60% Espaço aberto
• 30% Permanente

 

m2

 

%

 

Residencial
 

682.422

 

57,5

 

Escritórios e hotéis
 

408.983

 

34,4

 

Comércio de varejo e lazer
 

82.500

 

6,9

 

Comunidade e educação
 

14.118

 

1,2

 

Total
 

1.188,023

 

100

 

 
 
Orçamento dos jogos de 2016
Elementos fundamentais de custo
 

R$(m)

 

R$/m2

 

R$/acre

 

R$/hectare

 

Demolições, terraplanagem e limpeza
 

85.700,000

 

70

 

280.000

 

690.000

 

Engenharia civil
 

73.000,000

 

60

 

240.000

 

590.000

 

Pavimentação
 

130.300,000

 

110

 

430.000

 

1.050,000

 

Paisagismo
 

28.000,000

 

20

 

90.000

 

230.000

 

Instalações
 

79.600,000

 

60

 

260.00

 

640.000

 

Domínio público e recurso de iluminação
 

25.400,000

 

20

 

80.000

 

210.000

 

Sustentabilidade / ecologia
 

52.300,000

 

40

 

170.000

 

420.000

 

Sistema de segurança
 

9.500,000

 

10

 

30.000

 

80.000

 

Estruturas e construções operacionais
 

74.200,000

 

60

 

240.000

 

600.000

 

Equipamentos diversos, mobiliário urbano e obras de arte
 

6.600,000

 

10

 

20.000

 

50.000

 

Logística
 

19.600,000

 

20

 

60.000

 

160.000

 

 

584.200,000

 

470

 

1.910,000

 

4.720,000

 

 
(Arena excluídas)
 

“Correria na entrega das obras faz surgir ‘elefantes brancos’”, afirma consultor
A realização de uma Olimpíada tem de ser analisada sob dois pontos de vista, de acordo com engenheiro civil Luiz Henrique Ferreira, diretor presidente da Inovatech Engenharia, empresa de consultoria especializada em projetos sustentáveis para a construção civil.
Um desses aspectos, segundo ele, está relacionado à necessidade básica de que as edificações – arenas, pistas, piscinas, vila olímpica etc. – sejam eficientes funcional, energética e ecologicamente. Outro aspecto, cujo interesse vem crescendo acentuadamente no mundo, de acordo com Luiz Henrique, é o que se refere à sustentabilidade do tecido urbano que envolve essas instalações. “Uma Olimpíada é um evento que dura poucos dias e implica investimentos de grandes proporções. Nesse sentido, é importante ter bem claro quais são as necessidades reais e fundamentais, para que os vultosos recursos aplicados, hoje, resultem num legado permanente e útil para o amanhã, beneficiando a população e a cidade”, explica o engenheiro.
“Financeiramente, a olimpíada não se paga”, afirma. Mas, Luiz Henrique lembra que, quando se pensa na requalificação urbana e na manutenção do uso dos equipamentos esportivos, aí sim se pode almejar um retorno positivo. “Para isso, o planejamento rigoroso de todas as ações a serem adotadas é fundamental. Esse, infelizmente, costuma ser o primeiro item a deixar-se de lado, quando não se tem tempo hábil. Na correria para entregar as obras, procura-se fazer o que é possível e só pensar na sua destinação e subsistência depois do evento. É assim que surgem os ‘elefantes brancos’”, finaliza o engenheiro da Inovatech.



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Fonte: Padrão
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