Mão francesa inova a concretagem de degraus em barragem
 

São diversos os desafios enfrentados durante a construção de uma barragem de 880 m de comprimento total, sendo 430 m da barragem em terra, 450 m da barragem em Concreto Compactado a Rolo (CCR) e altura máxima de 60 m. Responsável pela execução da obra da Barragem Marrecas, em Caxias do Sul (RS), um projeto do SAMAE – Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto – que garantirá o fornecimento de água tratada de qualidade por até 30 anos para mais de 450 mil habitantes da região, a Fidens  desenvolveu uma solução inovadora para tornar o processo de concretagem dos degraus mais rápido e eficiente na obra.

A empresa mineira, que conta com mais de 40 anos de expertise no mercado nacional e internacional de engenharia, desenvolve o projeto em consórcio com a SANENCO, e encontrou na ”mão francesa” – elemento inclinado utilizado em algumas situações, como transição ou apoio de estruturas – uma alternativa para superar a concretagem dos degraus a jusante da barragem. A previsão é de que, depois de concluída, a Barragem Marrecas suporte um volume de até 33 milhões de m3 de água.

Devido às condições do local, em muitos casos acidentado, a fixação das escoras tornava-se difícil e, às vezes, inviável. Dessa forma, utilizava-se o escoramento convencional, o que dificultava a movimentação de pessoas e equipamentos. Para encontrar uma solução para o problema, a equipe da Fidens não precisou ir longe. Em substituição ao escoramento tradicional foi criada uma “mão francesa” de madeira, que por ser uma instalação simples e feita de material mais leve, reduziu o tempo de montagem das formas e, consequentemente, o espaço utilizado ao redor delas. Com isso, o acesso dos equipamentos foi facilitado, contribuindo para o ganho de tempo na montagem e liberação das frentes de trabalho.
Outra vantagem foi a mudança no processo de fabricação dos inserts metálicos, sendo que o modelo desenvolvido e aplicado na obra possui apenas um ponto de solda, e a rosca é feita no corpo do insert, o que facilitou a fabricação e a entrega em curto prazo. Também foi possível conduzir simultaneamente mais de uma frente de trabalho sem interromper o lançamento de CCR. Além da eficiência e da redução do tempo de montagem das formas, a nova ferramenta apresentou custos muito abaixo do planejado.

Tratamento de fundações recupera barragem

A Fundsolo realizou seu primeiro projeto internacional junto à Camargo Corrêa.

Trata-se da obra de reabilitação da represa de El Guapo – fase II, iniciada em agosto de 2007, no estado de Miranda, na Venezuela.

Nesse projeto, a Fundsolo executou serviços de cortina de injeção para impermeabilização, perfuração para instrumentação e drenagem, sondagens rotativas e chumbadores.

Para isso mobilizou oito equipamentos capacitados para diversas metodologias executivas, tipos de terreno e que permitam acesso a locais confinados e com limitações de pé direito.

Devido à topografia do local, foi especificado o sistema de perfuração  rotativo para evitar instabilizações ocasionadas pelo sistema rotopercussivo. Em algumas situações, como no caso de perfurações com até 80 m de profundidade, onde existe grande ocorrência de cascalho, uso na confecção da barragem de terra, foi necessária a utilização do processo de telescopagem com redução de diâmetro de revestimentos de 8” para 6”, 5”, posteriormente Hw e finalmente Nw para a instalação das instrumentações.  

A   campanha da cortina de injeção de consolidação iniciou-se na ombreira direita e no plinto (lado montante) da barragem em CCR.

Os furos feitos no plinto da barragem têm 30° de inclinação com o rumo a jusante da barragem e 15 m de profundidade, para posteriormente se cruzarem com os furos da cortina de injeção de dentro da galeria que possuem a inclinação contrária. Neste trecho trabalharam cinco sondas rotativas hidráulicas perfazendo um total de 1.304 m lineares de perfuração e consumindo 565 sacos de cimento em forma de calda, no traço 1:1 em peso.

A  metodologia de injeção de calda de cimento é a GIN (Groutin Intensity Number), norma executiva adotada pela fiscalização.

Segundo o presidente da Fundsolo, engenheiro Civil Márcio dos Santos, o cronograma de execução dos serviços pode ser considerado reduzido, devido às dificuldades encontradas, como acessos com alta declividade e instabilidade, perfuração em locais confinados e com limitações de pé direito, alem da perfuração dos tipos litológicos. Apesar dessas dificuldades, a Fundsolo antecipou o cronograma.

Em seguida foram executados os mesmos serviços dentro da galeria da barragem em CCR, com dimensões de 3,80 m de altura e 3 m de largura. As grandes dificuldades encontradas foram os espaços confinados e o desnível entre cotas, incluindo uma extensa escadaria íngreme, que complicou a locação dos equipamentos e a sua execução.

Foram perfurados, no sistema rotativo, 1.339 m lineares de perfuração rotativa e injeção de 690 sacos de cimento, gastos durante a execução dos serviços dentro da galeria.

À medida que a perfuração e a injeção de calda de cimento prosseguiam, uma outra equipe seguia executando os furos para drenagens descendentes até penetrar 2,00 m na rocha.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fonte: Estadão

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